domingo, 4 de setembro de 2016

Décima terceira semana

A aula foi dedicada às apresentações finais, em duplas e individuais.
A primeira apresentação foi individual e foi sobre esportes e, sobretudo, a capacidade que ele (o esporte) tem de promover a superação de problemas sociais, familiares, de limitações físicas e mais um punhado de barreiras que existem. A colega começou um pouco nervosa, mas aos poucos se firmou e deu conta do trabalho.
A segunda foi sobre os jovens e a leitura. Segundo o que pude entender, o colega acredita que exista preconceitos sobre o tipo de leitura praticada pelos jovens. Ele defende a tese de que os jovens leem sim, contudo, outro tipo de leitura que não a exigida pela academia. Ficou um pouco confusa para mim, pois não havia informação suficiente. Existe uma quantidade enorme de pesquisas nesse campo, umas com mais credibilidade que outras, mas que podem ilustrar esclarecer esse assunto. Acredito que a confusão tem origem, justamente, na falta de pluralidade de sua leitura. Não importa, ele sabe ler e, na medida em que avançar na universidade vai saber diferenciar e entender  os porquês. Melhor, usará a habilidade que possui para leitura a seu favor.
Outra apresentação foi sobre empreendedorismo. A colega estava muito nervosa e não levou adiante, contudo, não fosse esse detalhe, teria sido muito boa a apresentação. A colega sabia do que estava falando, estava tudo na cabeça dela. Ela sequer usava um texto, apenas os tópicos na tela e começava a falar e deu para perceber que ela estudou e dominava o assunto, mas não controlou os nervos e encerrou de abrupto a apresentação; uma pena.
Houve uma apresentação que foi um filme sobre o universo e o seu criador e por final havia uma dupla que queria passar um filme de longa metragem, só que não dava tempo. O filme era sobre a escravidão e suas sequelas que resistem até hoje. A apresentação em si não foi muito boa, o filme também parecia não ser grande coisa, bom foi o debate que ela (a apresentação) suscitou. Acho que foi isso.
Acho também que esse diário termina por aqui. Foi um enorme prazer.



domingo, 28 de agosto de 2016

Décima segunda semana

Na décima primeira semana não houve aula por conta de uma paralisação nacional - acho que de advertência - dos professores.

Deu-se continuidade às apresentações dos capítulos do livro Pedagogia da autonomia de Paulo Freire.
O primeiro grupo fez diferente dos últimos. Liam longos trechos e depois comentavam, aliás, comentava, pois era sempre a mesma colega que fazia os comentários, por sinal, bem feitos e com sinais de que realmente entendeu. Apenas um ponto que ela mesmo declarou não ter compreendido e pediu que o professor ajudasse a esclarecer. Foi, sem sombra de dúvida, uma das melhores apresentações, apenas comparável à primeira que ocorreu, ambas foram feitas a partir de leitura e interpretação. lamentei ter esquecido de levar o livro, pois tenho levado todos os dias que tem os debates e ajuda bastante a acompanhar, além de fixar bem o assunto.
O outro grupo a se apresentar, o último de todos, começou com uma gravação de uma música dos anos setenta: Raul Seixas cantando Metamorfose Ambulante. Segundo a colega, era uma espécie de exemplo sobre algo que leu no referido livro. Uma interpretação livre por parte dela, para mim, um pouco sem conexão. As colegas fizeram uma apresentação rápida. Cada uma leu um trecho, uma delas fez um comentário sucinto e deu tchau.
E assim terminou a sequência do livro.
Passou-se então às apresentações que deveriam ser individuais e que posteriormente flexibilizadas para que fossem feitas em duplas.
A primeira dupla fez uma explanação sobre a chamada "Deep Web", algo que sei que existe, contudo, foi uma exibição um tanto fantasiosa. Algo como um filme do Tarantino levado a sério e elevado à máxima potência. carniça para abutres.
A segunda apresentação foi a minha. Falei sobre o Estado Laico e não me saí lá muito bem. Tentei ser rápido, mas houve muitas perguntas e com isso acabei demorando um pouco. Ainda por cima, troquei a palavra pentateuco por pentecostes o que me deixou desconcertado.
A terceira e última foi sobre as filas de espera para adoção. O colega não foi mal, mas poderia ser mais objetivo e com informações técnicas. Exibiu ainda uma reportagem da tevê Record que tinha um tom bastante apelativo, mas deu conta de mostrar o que queria.
Na próxima semana tem mais.

Décima semana

Mais uma aula dedicada às apresentações dos capítulos do livro Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire. Os grupos que se apresentaram dessa vez, limitaram-se a ler trechos que julgaram ser os mais importantes dos capítulos que lhes cabiam. Se não fossem as cobranças e os questionamentos do professor, as leituras ficariam sem sentido, pois se limitavam a trechos que soltos ficavam desconexos. Contudo, os comentários acabaram por se alongar devido às intervenções do professor e de uma colega que cobravam detalhamento e explicações que acabaram acontecendo, exclusivamente por essas interposições. O que parecia caminhar para a pior das apresentações, acabou sendo a mais esclarecedora, pois o professor conduziu o debate e conseguiu gerar bastante discussão. A participação das colegas foi aumentando ao ponto de render uma boa aula.
Há nitidamente um desinteresse da maioria dos colegas em ler o livro. Como grande parte ali quer ser médico e não educador, quase todos leram do livro apenas as partes que lhes cabiam nas apresentações. É uma forma um tanto estranha para mim, tenho dificuldade em entender trechos fora do contexto geral. Não digo que tivessem que ler vários trabalhos do autor, mas, ao menos o referido livro, pois afinal, tem pouco mais de cem páginas. E, mais, se todos - ao menos uma boa parcela - tivessem lido todo o livro, os debates poderiam ser mais proveitosos, ou seja, sem prejuízo para quem quer que fosse, todos sairiam ganhando - ficou uma frase estranha, mas é isso mesmo.
Apesar de tudo foi uma boa aula.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Nona Semana

Como os grupos que deveriam fazer as  apresentações dos capítulos seguintes do livro Pedagogia da Autonomia estavam incompletos,  decidiu-se exibir um filme para que em seguida fizéssemos um debate sobre o mesmo. O título escolhido foi  "A Onda".
A Onda (o título original é Die Welle). É um filme alemão de 2008 - diretor Dennis Gansel. Baseado em um livro com o mesmo nome do autor americano Todd Strasser. O filme trata da questão da autocracia e se a Alemanha nos dias de hoje ainda teria condição de mergulhar em tal aventura. Como foi a terceira vez que assisti, tive um pouco de má vontade com a obra. Acredito que para os alemães deva ser muito mais forte e impressionante do que para nós brasileiros, pois é uma realidade muito distinta da qual vivemos, sobretudo, em Cabrália.
O debate que se seguiu não foi nada empolgante, apesar de observar que quase todos que falaram sobre o filme, demonstraram ter entendido com clareza qual é a proposta do trabalho. Apenas um depoimento me pareceu totalmente fora de contexto. Faz parte.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Oitava Semana

A aula começou com as apresentações dos grupos sobre o livro Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire. Foram apresentada as leituras comentadas sobre, acredito que uns quatro capítulos do livro, sem que gerasse muitos questionamentos ou qualquer outra forma de intervenção, pra dizer a verdade, nem me lembro de algum aparte que não tivesse sido feito pelo professor. Contudo, quando da leitura da passagem denominada "Ensinar Exige Criticidade" houve uma insistência por parte do professor de que se aprofundasse a questão, pois não pareceu a ele (ao professor) que havia sido bem definida no discurso da colega o que vinha a ser a visão de crítica colocada por Paulo Freire a sua abrangência de sentido. A partir daí o assunto travou. Como a interpretação do correto sentido de crítica é de fundamental importância para a compreensão do livro, o professor insistiu um pouco mais, até sentir que havia um mínimo de assimilação por parte da turma.
A outra metade da aula foi dedicada a exibição de um vídeo palestra de uma escritora nigeriana chamada Chimamanda Ngozi Adichie que usa do seu exemplo pessoal para demonstrar a importância de levar em conta a experiência de cada um, a história de cada um. Não só isso, mas também ficarmos mais  cuidadosos com as narrativas das versões hegemônicas e a tendência à invisibilidade das culturas diferentes da cultura ocidental, preponderantemente eurocêntrica e "branca".
O professor provocou um debate após a exibição do vídeo e fez questão de ligar a temática ao livro que está sendo debatido. Parece ter funcionado, pois senti que muitos colegas encontraram pontos em comum entre o livro e a palestra.  Andamos pra frente.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sétima Semana

  Como ficou combinado foi exibido o documentário "Olhos Azuis"

"Olhos Azuis" (Blue Eyed 1996) é um documentário dirigido por Bertram Verhaag que acompanha  uma dinâmica de grupo realizada pela educadora norte americana Jane Elliot, cuja proposta é fazer com que pessoas brancas e de olhos azuis passem a ser discriminadas, exatamente em função da cor dos olhos. Em princípio, parece ser algo superficial, pois todos sabem se tratar de uma dinâmica e que é por apenas algumas horas. Apesar disso, com o correr do tempo, alguns dos envolvidos vão dando nítidos sinais de incômodo que seguem se agravando cada vez mais. A atuação de Elliot é semelhante a de um duro e severo sargento, completamente indiferente às lamentações dos participantes e inflexível ao ponto de parecer mesmo tratar-se ela de uma fria preconceituosa. Pelo que pudemos ver, ela usou como inspiração algumas técnicas que foram empregadas na Alemanha Nazista, daí, talvez, a atitude inflexível. É possível que se fosse de outra forma o resultado não chegasse a qualidade que chegou. Jane Elliot, isso fica claro ao longo do filme, foi muito influenciada pelos acontecimentos que culminaram com o assassinato de Martin Luther King. A intensa luta por direitos civis que marcou as décadas de 50/60 do século vinte nos EUA teve para ela uma significação muito forte e mais ainda com o fatídico assassinato do líder mais ponderado e que, ainda por cima, pregava a não violência.
Como isso não é uma resenha e sim um diário, fica por aqui a análise do referido documentário. Passo a tratar agora do impacto provocado pelo filme. Foi das poucas vezes em que a sala conseguiu ficar silenciosa. A partir do décimo minuto de exibição já não se ouvia sequer uma mosca voando. Ao final da sessão o professor provocou a turma para que se manifestasse. Permaneci calado, afinal, sou branco e nada crespo, a melhor coisa que tinha a fazer era ouvir. O fato é que todos pareciam estar bastante impactados pela carga dramática contida no filme e, sobretudo pela técnica utilizada na dinâmica, uma "empatia forçada" que nos deixou a todos um tanto emocionados. Houve alguns relatos de situações de racismo sofridos por alguns colegas, mas um em especial nos deixou, ao menos a mim, bastante emocionado: uma colega indígena e negra que trabalha em um hotel narrou fatos bastante repugnantes vividos por ela. Não há como permanecer indiferente a certas situações, fiquei enormemente tocado pelo drama da colega.
Um dos mitos brasileiros mais difundidos é o da democracia racial. Uma conversa mole pra boi dormir. Nunca existiu nenhuma democracia racial e nem tão pouco tolerância. Somos uma sociedade racista e dissimulada; o que não temos, ao menos publicamente, é a negrofobia  que nos EUA se manifesta com orgulho, pompa e violência.
Existe um trabalho de um cientista político (brasilianista) chamado Thomas E. Skidmore, "Preto no Branco"  que demonstra numericamente que não se pode dizer que haja mais racismo no EUA do que no Brasil. A diferença, segundo ele, está na "sinceridade" e na supracitada, negrofobia.